O carro do Jaspion
O carro do Jaspion!
Todo mundo já teve um brinquedo desses. O carro do Jaspion. Mas o mais legal é que quando eu era moleque no caminho pra ir de casa ( na Rua Leon Foucoalt até o finado EEPG Diva Maria ;( na esquina da Av Padre Antonio José dos Santos x Guaraiuva – Hoje Tom Jobim e em breve prédio abandonado) tinha uma oficina naRua André Ampêre se não me esqueço.
O Mecanico/Dono/Lenhador com a barba ruiva com uns 3 metros de altura quase não cabia dentro do carro. ( pra quem tinha seus 6 – 7 anos ele parecia um gigante). Mas todo dia de manhã passavamos na porta e ele lá, manobrando carro por carro dentro da minuscula oficina pra caber aparentemente uma dezena dentro daquela oficina minuscula.
Acho que cabia pq era o carro do Jaspion
Anos depois o imóvel foi vendido e ali construido o prédio roxo que todos da vizinhança chamavam de “o prédio do PC Farias”. Se você tiver uma foto dessa época, favor deixe um recado que quero colocar aqui a descriçao.
valeu
Para quem não sabe do que se trata o Miura, segue um link que descreve http://miuraclubegauchoeantigos.com.br/?page_id=22088 e o clube dos amantes da marca. http://miuras.blogspot.com.br/
Dia Do Brooklin
De acordo com o projeto de lei abaixo,dia 30 de maio é dia do Brooklin.
Não temos muito a comemorar, mas vale informação.
O interessante é saber que o projeto de lei original, 149/02 de 22/03/2002 foi colocado em votação novamente pelo mesmo vereador e aprovado pela câmara em 16/08/2002 e aprovado. Dias depois com a duplicidade da lei, a segunda de número 13411 foi revogada.
PROJETO DE LEI 149/02 – CAMARA
do Vereador Antonio Carlos Rodrigues.
“Institui o “Dia do BAIRRO DO BROOKLIN” a ser comemorado no dia 30 de Maio de cada ano e dá outras providências.
A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO DECRETA:
Art. 1º – Fica instituído o “Dia do Bairro do BROOKLIN”, no âmbito do município de São Paulo, a ser comemorado anualmente no 30 de Maio.
Art. 2º – As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Art.3º- Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões, Às Comissões competentes.”
Passado e presente
Fotos da Rua Leon Foucoalt, paralela a Av Berrini.
Antes – lá por 1990.
Depois, 2010.

Alvaro Rodrigues – o primeiro especulador do Brooklin
O Brooklin inicialmente era uma fazenda, que ficava entre a Cidade de Santo Amaro e a Cidade de São Paulo. Um nada repleto de mato, brejos e bancos de areia, cortado por diversos riachos e afluentes. Essa fazenda tinha 176 Alqueires e era de propriedade de: Chico Mimi em 1822. Pouco vendeu a propriedade a Moraes que em 1867 vendeu a Carlos Kleyn, um alemão que veio com a familia da Alemanha para São Paulo e ali morou com sua familia durante anos. Em 11 de dezembro de 1876 Carlos Kleyn faleceu, deixando as terras para seu filho João Kleyn e sua esposa Carolina Kleyn.
Com a morte de João Kleyn, seus filhos moraram ali até venderem as terras a Julio Klaunig, que se uniu em sociedade à Alvaro Rodrigues ( um político e capitalista que viveu nos idos de 1880) que conseguiu fazer com que o local fosse liberado para loteamento.
Em 1922 Dr. Afonso de Oliveira Santos adquiriu a gleba que ia da Av Morumbi ao córrego do Cordeiro, Julio Klaunig Adquiriu a Gleba da Av Morumbi ao Rio Jurubatuba () e Pereira Ignácio adquiriu a gleba que fica entre o córrego do Espraiado e o Cordeiro, desde a avenida Adolfo Pinheiro até a ( nos tempos se chamava ) Auto Estrada Washington Luiz.
Fazendo um comparativo entre 1922, data do inicio da Especulação imobiliária inicial ( afinal não havia nada aqui além de Brejos, poços de extração de areia e animais) e os novos donos dos terrenos de hoje, já que muitas das áreas da Operação Urbana Aguas Espraiadas foram divididas por um politico ( Dona Marta Suplici) a quem tivesse dinheiro e interesse de trazer mais gente para morar aqui ( no caso as grandes empreiteiras que compraram vários terrenos e os deixaram vazios para poder ganhar com a especulação devidamente calculada). Não é de hoje que as pessoas são enganadas para vir morar no Brooklin.
Bom, mas isso é uma discussão que continua nos proximos post´s
Até lá.
Como nasceu o Brooklin
Pelo Decreto do sr. Interventor Federal em São Paulo, nº 6.518, de 28 de junho de 1934, foi criado o Distrito de Paz de Ibirapuera, com as seguintes divisas: “Começam no rio Jurubatuba na foz do ribeirão da Traição, sobem este ribeirão até as suas vertentes, e daí em linha reta do seu galho setentrional à estrada de Conceição, dividindo com o município da Capital, e daí seguem pela referida estrada, dividindo com a Capital e São Bernardo, até encontrar as nascentes do ribeirão Cupecê ou Cordeiro, descem por êste, até encontrar a ponte existente nas proximidades de Benedito Camargo e Dr. Lane e dêste ponto, em linha réta até encontrar a rua Bela Vista, na linha de bondes da Light e pela rua Bela Vista até o Rio Jurubatuba, dêste ponto em linha reta ao marco divisório na Estrada do Circuito no bairro do Taboão e daí em linha reta pelos marcos divisórios com o município da Capital até a foz do ribeirão da Traição, onde tiveram comêço”.
Nomeando escrivão de paz o sr. Julio Simões, o primeiro nascimento foi registrado em 23 de julho; o primeiro óbito, em 29 do mesmo mês e o primeiro casamento em 1º de setembro, tudo em 1934.
As primeiras autoridades nomeadas foram os seguintes cidadãos: Juiz de Paz, sr. Manoel Pacheco Valente e suplente sr. Ettore Giollo; sub-delegado, sr. Otavio de Araujo Novaes; suplentes sr. José Henrique Rehin e sr. Agostinho José Gonçalves. Primeiro Agente do Correio: srta. Isabel Ferreira Pinto. O Grupo Escolar que foi fundado em 5 de Março de 1932, em barracão cedido pela Cia. Votorantin, teve o seu corpo docente constituido dos seguintes professores: Leonato de Freitas, diretor; professoras D. D. Alzira Livramento Marzagão, Flavia da Silva Costa, Floriana S. Paulo Pacheco; Ida Varani; Idalina Guimarãoes; Luiza Blumenthal, Maria Cardoso do Amaral; Maria Conceição Mesquita, Maria da Glória Pereira Leite e Maria Luiza Vieira. Funcionários: Ruy de Alvarenga Toledo, porteiro; Israel Silva de Moraes, Ozoria Vaz de Almeida e Leontina Gonçalves Nunes, Serventes.
O estabelecimento mantinha cinco salas e, funcionando em 2 períodos, mantinha 358 alunos, sendo 174 do sexo feminino e 184 do sexo masculino.
Não se pode afirmar que o Brooklin Paulista conte com 179 anos de existência, embora tivesse a sua primeira casa construida em 1822, data da nossa Independência, pois essa casa foi sede da fazenda de 174 alqueires, construida por Chico Mimi, que se mudara da casa que também construira, às margens do córrego da Traição, a unica existente antes de 1822, entre Santo Amaro e São Paulo. Como sede da fazenda a “Casa Grande”, como a chamavam, assim se conservou por mais de um século, passando para a propriedade de diversos donos. Nessa persuasão crê-se que o Brooklin Paulista começou efetivamente quando os 174 alqueires da fazenda foram divididos em pequenos lotes que foram vendidos em prestações. Os primeiros adquirentes dos lotes tendo construído as suas casas e quando já se constituía um núcleo regular, inclusive as existentes de uma pequena igreja, efetivou-se o nascimento do bairro no ano em que se iniciaram as vendas dos terrenos, 1922.
Três grandes terrenistas empenharam-se entusiásticamente nas vendas das diversas glebas. O Dr. Afonso de Oliveira Santos, o primeiro loteador da gleba entre a Av. Morumbi e o Rio Cordeiro, loteamento esse que denominou Jardim das Acácias. A gleba compreendida entre a Av. Morumbi do lado direito subindo em direção ao Rio Jurubatuba, foi adquirida por Julio Klaunig, cuja divisão e venda foram feitas por Alvaro Rodrigues. Por último, no mesmo ano de 1922, Pereira Ignácio procedeu ao loteamento da parte alta, entre o córrego do Espraiado e Cordeiro, desde a avenida Adolfo Pinheiro até a Auto Estrada Washington Luiz.
Entretanto, ao contrário do que muita gente pensa, o Brooklin Paulista nasceu e cresceu auto-suficiente. O bairro progrediu dentro das suas próprias e naturais divisas, as acima descritas. Não teve ajuda nem a influência dos poderes administrativos. Ilhado, pode-se dizer, por muitos anos, entre o córrego do Espraiado e Cordeiro, os prédios residenciais, fábricas e outros empreendimentos particulares sucediam-se formando o monumental bairro, o qual como dissemos no inicio, nasceu para ser uma metrópole. Além, tanto ao lado da Capital como de Santo Amaro por muitos quilômetros, não havia vida, isto é, não existiam casas de espécie alguma.
Certo dia, no ano de 1959, um homem de visão, empreendedor e cheio de iniciativas, resolveu construir uma avenida pelo traçado da acanhada estrada de rodagem que ligava Santo Amaro a São Paulo, como prometeu, um ano após, a magnifíca era inaugurada. Esta avenida, que fêz o milagre da integralização, unindo São Paulo e Santo Amaro ao Brooklin Paulista o qual como afirmamos, achava-se ilhado entre os dois córregos, por mais de um século, nos dias de hoje absorveu-se dentro da grande metrópole paulistana. Por isso mesmo, engrandecendo-a e cooperando com o seu aumento demografico para cinco milhões de habitantes.
Como dissemos linhas acima, o primeiro prédio que foi sede da fazenda foi construído por Chico Mimi, em 1822. Pouco tempo depois êste a vendeu a um tal Moraes, por 800$000. Em 1867, Carlos Kleyn, que viera da Alemanha e se localizara em companhia dos seus patrícios no lugar chamado Colônia, constituida de terras doadas pelo governo provincial, comprou a fazenda onde veio residir em companhia de sua esposa, D. Ana Catarina Norgang Klein, e seus filhos já nascidos aqui. Tendo o chefe da familia falecido a 11 de dezembro de 1876, a fazenda veio pertencer ao seu filho João Klein [foto] e sua esposa, D. Carolina Klein. Os filhos do casal, em numero de oito, nasceram na “Casa Grande” da fazenda. São eles: Ana, Maria, Izabel, Catharina, Paulo, Augusta, Adelaide, e Libório.
Por falecimento de João Klein os seus filhos Paulo e Libório foram contemplados no inventário, cabendo-lhes na partilha dos bens deixados, a gleba de 174 alqueires. Anos após este acontecimento, os irmãos Klein venderam toda a referida area a Julio Klaunig o qual juntando-se em sociedade com o prestigioso politico e capitalista brooklinense Alvaro Rodrigues, procederam ao loteamento de toda a gleba adquirida.
Rio Jurubatuba
Bom essa última parte deixe para quem fez a indagação, mas quanto ao “rio da terra que tem palmeiras onde canta o sabiá”, vamos lá:
- o Rio Jurubatuba foi uma importante via fluvial fazendo a ligação entre os rios Grande e Tietê, saindo quase do Alto da Serra, constituindo uma alternativa fluvial de acesso ao litoral;
- hoje é confundido com o Rio Grande, (Rio Grande de Jurubatuba), que por sofrer represamento em Pedreira, (Santo Amaro), praticamente desapareceu, surgindo com isso um rio artificial que recebeu o nome de “Canal de Pinheiros”, responsável pelo retorno das águas poluídas do Tietê para a Billings;
- o Rio Jurubatuba, na sua montante separa as cidades de São Paulo e Diadema, permanecendo ainda com tal nome desde a sua nascente até em frente à Av. Pde. José Maria/Sto Amaro, pouco antes da Ponte do Socorro; portanto o nome Pinheiros só apareceria quando do encontro do Rio Guarapiranga, (Canal da Guarapiranga), com o Rio Grande (de Jurubatuba);
- portanto “Rio Jurubatuba” é o nome verdadeiro, – primeiro -, do nosso “Rio Pinheiros” ou ”Jerivatuba” ou “Jeribatiba”, mesmo com todas essas e outras variações de nomes, ortografias (errôneas ou não), possíveis de serem encontradas quando de interpretações em português da língua tupi, (tupi-guarani);
- até existe uma avenida (Jurubatuba) ligando a Av. Águas Espraiadas (Jornalista Roberto Marinho) à Av. Morumbi, no Brooklin Novo/SP;
- no Itaim Bibi, a Rua Manuel Guedes era chamada anteriormente de Rua Jeribatiba, onde havia uma fábrica de objetos de cerâmica;
- o interessante é a existência de um outro rio de mesmo nome, (Rio Jurubatuba), correndo paralelo ao Rio Quilombo e tendo suas nascentes com águas claras e cristalinas no alto das encostas da Serra do Mar, porém descendo em direção contrária ou melhor indo á Santos/SP, até desaguar no estuário (porto); tal rio ainda ostenta instalações do complexo de captação de água para o Guarujá/SP; um seu afluente à montante chama-se Jurubatuba-Mirim;
- quanto a origem ou significado da palavra, conta o historiador Francisco Martins dos Santos que se acreditava inicialmente ser a denominação Jurubatuba originária, – atenção – em tupi, de “Jaruvá, Jerivá ou Jeribâ “, nome de certa palmeira produtora de excelente palmito, e ”tiba” ou “tuba” significando “grande quantidade, abundância, existente em grande número”; porém, a língua tupi não tem o som da letra “J” inicial, sendo portanto “gerivá; com “G”;
- outra versão foi proposta por Mendes de Almeida, ainda da língua tupi ou túpica como originária de “Yérê-Abati-Bae”, em que Yérêsignifica “volta”, já “Abá” significando “muitas” e “Ty” ou “Ti ” como “atar, prender”, e mais a partícula “Bae” (breve) para formar particípio, em conjunto querendo dizer “atado e de muitas voltas” , alusão ao fato do rio correr espremido em voltas constantes;
- já Francisco Martins, em sua História de Santos, acredita mais na origem “semita” do nome – muitos representantes do povo hebraico habitaram a região santista desde 1502 -, pela qual “Ior” igual a “árvore, floresta”, mais “Abâh” como “desejado, cheio de atrativos” e “Tibi”, “Tiba” (abundância, riquezas, felicidade) formavam vocábulo muito semelhante (inclusive na sonoridade) ao túpico, querendo significar “lugar feliz, cheio de belezas e florestas” (Ior-Abâh- Tibi)
- consta também que o “barro” desses rios, (Jurubatuba em São Paulo e o de Santos), era considerado de qualidade superior, portanto preferido nas olarias;
- no entanto, qualquer que seja a explicação histórica ou não, coincidência de nome, denominações, variações ou formas na escrita, o correto é que o rio da nossa “região do Ithay”, em São Paulo/SP, depois de receber as águas do Rio Guarapiranga, (hoje Canal da Guarapiranga, antes da Ponte Transamérica), percorria sinuosamente uma vasta região da cidade ou vila, desaguando no Tietê, no bairro da Vila Leopoldina/SP;
- outro fato importante é que ainda nos tempos em que corria cheio de curvas, sem os obstáculos das barragens da Traição e da Pedreira, passou a ser chamado de Pinheiros pelos jesuítas, em 1560, quando criaram um aldeamento indígena de nome Pinheiros, por causa da grande quantidade de araucárias (ou pinheiros-do-paraná) que cobriam a região;
- nessa época, o principal caminho que dava acesso à aldeia era o “Caminho de Pinheiros”, provavelmente entre hoje a Rua Butantã, a Paes Leme, a Rua dos Pinheiros e a da Consolação;
- no início do Século XX, a paisagem em torno do rio começou a transformar-se em função das novas levas de imigrantes, principalmente italianos e japoneses, que vieram se instalar às margens do rio; a principal via que liga os bairros do Butantã, (Pte. Euzébio Matoso) e Pinheiros ao centro da cidade é a atual Av. Euzébio Matoso, continuando na Av. Rebouças, quanta diferença, isso sem contar com o nosso Metro que esta saindo.
Comércio e bondes
O Brooklin, bairro que eu gosto muito, sempre foi, na verdade, o lugar chique de Santo Amaro. Houve uma época em que era símbolo de status dizer ser morador daquele aprazível lugar. Sua principal rua de comércio sempre foi a Joaquim Nabuco e hoje o comércio naquelas imediações é tão intenso, que a própria Rua Joaquim Nabuco já perdeu essa identidade.
O Brooklin Paulista nasceu do Distrito de Paz do Ibirapuera, por conta de um Decreto de nº 6518 de 1934, baixado pelo Sr. Interventor Federal em São Paulo. Ao mesmo tempo em que foi criado esse Distrito, foi também nomeado Escrivão de Paz o Sr. Júlio Simões que, nas notas de seu Cartório, encontra-se o primeiro registro de óbito do local, ocorrido no dia 29 de julho de 1934.
Neste mesmo Cartório anotamos que o primeiro casamento foi assentado em seus livros no dia 1º de setembro daquele mesmo ano. Quanto ao nome recebido pelo bairro, por ocasião da substituição do trem a vapor pelo bonde elétrico que fazia a linha São Paulo – Santo Amaro, as paradas se davam em linhas duplas, uma que ia e outra que vinha, chamadas de desvios. O Brooklin era o quinto desvio e a antiga “Light”, querendo homenager a América, acabou dando o nome de Brooklin a essa parada.
Inicialmente, o Brooklin tinha as seguintes divisas: Começava no Rio Jurubatuba, na foz do Ribeirão da Traição, subindo por este ribeirão até as suas vertentes, e daí, em linha reta do seu galho setentrional à estrada de Conceição, dividia com município da Capital e São Bernardo, até encontrar as nascentes do ribeirão Cupecê ou Cordeiro, por onde descia até a ponte existente nas proximidades de Benedito Camargo e Dr. Lane e, deste ponto, em linha reta ia até encontrar a rua Bela Vista, na linha de bondes da Light e por esta rua ia até o Rio Jurubatura, indo deste ponto, em linha reta, ao marco divisório na estrada do Circuito no bairro do Taboão e daí, também em linha reta, pelos marcos divisórios com o município da Capital até a foz do ribeirão da Traição, onde tivera o começo. Ih…!!! Me perdi nessa confusão de divisas!
Então, tcháu!!! Roberto Pavanelli (dados extraídos do portal Sampa Online).
A última linha de bondes de São Paulo
O que teve início em 25 de abril de 1880 terminou na noite de 27 de março de 1968. Naquela longínqua ocasião, a Lei-Provincial nº. 1.212 autorizava o visionário engenheiro Alberto Kulhmann e seu sócio, Euzébio Inocêncio Vaz Lobo da Câmara Leal, a construírem uma ferrovia ligando São Paulo a Santo Amaro, com carros movidos a tração animal.
Criaram a CCFSPSA – Companhia Carris de Ferro de São Paulo a Santo Amaro. Desafio difícil e problemático, logo deixando Kulhmann sozinho na gigantesca empreitada. De carros puxados por burros a trens movidos a vapor, passaram-se cinco anos, eis que o projeto primitivo não saíra do papel.
Inaugurada em 14 de março de 1886, com 18 quilômetros de extensão, da Rua São Joaquim à entrada de Santo Amaro, às duras penas, a linha funcionou até 1900, quando a empresa de Kulhmann foi à falência. Foi a The São Paulo Tramway Light & Power Company que a arrematou em leilão público, mantendo a linha a vapor até 1913 e, daí em diante, operando com os bondes elétricos. A região toda sentiu o impacto e cresceu, despertando a curiosidade e o interesse financeiro de grandes investidores imobiliários.
Em 1947, a recém-estatal CMTC emcampou todas as linhas de bondes e ônibus urbanos da capital e, aos poucos, foi extinguindo as linhas de bondes, imposição natural da indústria automobilística que se instalava no País. Com isso, em São Paulo e nos grandes centros, os trilhos começavam a ser encobertos por ruas a avenidas asfaltadas. O prenúncio, irreversível, chegou, finalmente, à antiga linha que ligava o Centro a Santo Amaro. E foi na noite de 27 de março de 1968 que os bondes que percorriam o mesmo trajeto, por mais de 55 anos, fizeram a sua derradeira viagem. Chamada “A viagem do adeus”, reunia doze carros, tendo à frente o bonde-camarão nº. 1.543, conduzindo o prefeito Faria Lima, o governador Abreu Sodré, a Banda de Música de Santo Amaro e um punhado de personalidades do mundo social, político e religioso paulistano. Nas laterais do bonde-símbolo, via-se uma faixa de pano com os dizeres: “nasce a Nova São Paulo”. Do lado de fora, às margens dos trilhos, a viagem foi presenciada e cercada de extremo carinho e profunda emoção por milhares de pessoas. Com os olhos marejados, antigos moradores testemunhavam o epílogo de uma época romântica, tranqüila e feliz, com a certeza de que um pedaço da cidade de São Paulo nunca mais voltaria aos velhos tempos.
E enquanto o longo comboio passava, até sumir para sempre no horizonte, um rosário de saudosas recordações mexia com a memória de cada um. Para outros, no entanto, mergulhados em problemas do mundo moderno, não havia como alcançar o significado daquela viagem e, tampouco, imaginar que, naquele exato momento, terminava um ciclo de transcendental importância da história de toda a região, desde o primeiro “trem”, ligando São Paulo a Santo Amaro, 82 anos antes.
e-mail do autor: jbpetroni.adv@uol.com.br
Os antigos times de futebol do Brooklin Paulista
Em 1922, um grupo de jovens entusiastas resolveu fundar a Associação Atlética Brooklyn Paulista. Camisa branca e meias e calções negros foi o uniforme escolhido para o primeiro time de futebol do bairro, que pouco demorou para tornar-se o xodó de todos os moradores. Sua bem-freqüentada praça de esportes formava um quadrilátero, limitado pelas atuais Avenida Morumbi, Rua das Margaridas, Pássaros e Flores e Coronel Conrado Siqueira Campos, no Jardim das Acácias. Jogávamos aos domingos à tarde. Por muito tempo e enquanto os campos de futebol de várzea resistiram ao assédio de um mercado imobiliário em constante ebulição, a A.A. Brooklyn Paulista montou grandes equipes, numa sucessão inesgotável de excelentes atletas.
Houvesse, porventura, algum registro da trajetória histórica desse clube, jogadores como Piérre Pellerin, Carijó, Pascoal Barba, Artur Araújo, Afonso, Manuel Gimenez, os irmãos Antônio, Jacinto e Geraldo Pacheco Valente, posteriormente, Angelim, Eurides, Vicente, Zeca, e ainda Chafic Chueri, Maluco, João Três Pulos, Anibal Gonçalves, Alberto Bacellar, as duplas de irmãos Pascoal e Aristides Carota e Téte e Moacir, dificilmente seriam esquecidos. Vários deles, de tão bons que foram, seguiram carreira como profissionais. De outros bairros, também surgiam esquadrões de peso: o Marechal Floriano F.C., o Clube Couto de Magalhães e o Marítimo F.C. que, por anos a fio, incendiaram as tardes de domingo do Itaim Bibi e Vila Nova Conceição. E ainda, o Santo Amaro F.C., o afamado e semi-profissional LPB, do Laboratório Paulista de Biologia, comandado pelo zagueirão uruguaio, Herculano Squarzza, e o timaço do Casas Avenida, entre outros. Quando o time do Brooklyn os enfrentava, semanas antes, já se imaginava o que seria desses memoráveis confrontos.
Anos depois, do outro lado da rua, num campo de terra e de frente para a Avenida Santo Amaro, a Portuguesa, fundada pela colônia lusitana local, passou a mandar seus jogos no mesmo dia e horário. Em 23 de março de 1947, a A.A. Brooklyn Paulista promoveu inúmeras festividades para comemorar o 25º aniversário de sua fundação. A aguardada partida de encerramento foi disputada com o Clube Esportivo Gazeta, da Fundação Cásper Líbero. Na ocasião, os já veteranos, Manuel Pacheco Valente, Darwin Belletato e Pascoal Barba, compunham a sua diretoria. Convidados especiais também se fizeram presentes, dentre eles o Dr. Waldemar Teixeira Pinto, subprefeito de Santo Amaro. O evento ainda contou com a cobertura de emissoras de rádio, do jornal A Gazeta Esportiva e outros periódicos da capital.
Mas em meados da década de 1950, o campo da A.A. Brooklyn Paulista deixou de existir. A construção e venda de dezenas de residências tomaram o seu lugar. Não tendo mais onde jogar, o clube desapareceu, deixando para a posteridade aproximados quarenta anos de importantes conquistas. O campo da Portuguesa teve idêntico destino. Primeiramente, foi ocupado pela empresa Divena, revendedora de caminhões pesados, de propriedade de Anésio Urbano. Depois, com edifícios de escritórios e apartamentos. Mas ainda restavam outros times, surgidos depois, e outros campos: o Estrela D’Alva, entre as Ruas Roque Petrella, Francisco Dias Velho e Ministro José Galloti, hoje abrigando o convento da Congregação das Filhas de São José, uma agência do Unibanco, além de vilas e novos sobrados. Os dois últimos a sumir foram o Vila Carmen, absorvido pela Avenida Vicente Rao e o União da Mocidade, no fim da Rua Bernardino de Campos. No início dos anos 1960, seu campo foi devorado pelo polêmico, frustrado e até hoje mal-digerido Anel Viário de São Paulo, projetado pelo DER. No entanto, suas obras jamais foram iniciadas, embora tenha sido expressivo o número de desapropriações ocorridas no local. O tempo perdido e o acintoso desperdício de dinheiro público foram circunstâncias que marcaram a passagem do fracassado projeto pela região. Em sinal de “reconhecimento”, os brooklinenses bem que poderiam conferir ao governo um meritório troféu, por ter parido a gigantesca e problemática Favela do Buraco Quente, que por obra de sua inconseqüente conduta ocupou as margens do Córrego Águas Espraiadas, por ininterruptos 25 anos.
Aproximadamente na mesma época da extinção da A.A. Brooklyn Paulista, a indústria de acumuladores Durex dividiu o imenso terreno que possuía na Avenida Morumbi, para construir um magnífico mini-estádio de futebol. Funcionários da fábrica e ex-jogadores profissionais formavam o seu esquadrão. Seu objetivo era disputar e vencer o Campeonato Paulista de Futebol Amador. E tinha time para isso. Durante uma partida oficial contra Sampaio Corrêa, da zona leste, e com as arquibancadas literalmente tomadas por torcedores de ambos os lados, instalou-se uma tremenda pancadaria e troca de tiros que, por pouco, não terminaram em tragédia, dentro e fora do campo. Na manhã seguinte, o lamentável episódio invadiu o noticiário policial de rádios e jornais da capital, levando a empresa a encerrar, às pressas, as atividades do time e a transformar a bela praça de esportes em ruas e lotes de terreno.
e-mail do autor: jbpetroni.adv@uol.com.br
Os padres e as freiras
Os barbudos missionários e educadores italianos, do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME), com sede em Milão, chegaram ao Brooklin Paulista em 1948. Assumiram a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, implantando inusitada e moderna metodologia de trabalho, centrada nos paroquianos em geral, mas, acima de tudo, na numerosa juventude da região. Surpreendente e grata revolução. Primeiro vieram os padres Attílio Garré, Luiz Gargioni e Carlos Acquani. Aos poucos, foram chegando Aristides Piróvano, Geremia Arosio,Angelo Pighin, Canzio Suardi, Angelo Gianola, Bruno Turato, Santo Cortese, Pedro Locati, Aldo Da Tófori, João Airaghi, Teodoro Negri, Vicente Mariani, os irmãos-leigos Carlos e Faustino e muitos outros, até o encerramento definitivo do longo e gratificante ciclo do PIME no bairro, com os padres Antonio Turra, Domingos Savino, Ernesto Arosio, Lino Pavaneto, Eugenio La Barbera e Sandro Schiatarella, em fins da década de 80. Poucos deles permaneciam em São Paulo. Partindo do Brooklin, casa-mãe do instituto no País, seguiam pelos mais remotos e enigmáticos caminhos, até alcançarem os inóspitos sertões do interior de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Porém, as misteriosas e subumanas profundezas do Brasil Central e os selvagens e traiçoeiros confins da Amazônia, até o Amapá, exerciam sobre eles espantosa e invulgar atração missionária. A vocação já lhes havia traçado o destino; a crença, impessoalidade e extrema abnegação eram outros valores de peso que levavam consigo. Vitimados pela fatalidade de doenças tropicais, muitos deles não mais fariam a viagem de volta. Com a chegada da primeira leva, padre Luiz encarregou-se dos jovens e adultos e o irrequieto padre Carlos, da garotada. De imediato, o entorno da igreja e imediações transformaram-se num agitado agrupamento de meninos, sugestivamente batizado por padre Carlos, de Meninópolis. No início dos anos 50, a Mitra Arquidiocesana vendeu ao PIME a Casa Paroquial e o terreno contíguo, na esquina da Rua Coronel Conrado Siqueira Campos, com a Avenida Morumbi. A seguir, a Prefeitura cedeu aos padres um velho galpão pré-fabricado, composto de algumas salas de aula. Nascia, assim, por exclusiva iniciativa de padre Carlos, o Colégio Meninópolis. Mas não foi só. Na ocasião, cinema só havia no centro da cidade ou nos bairros vizinhos ao Brooklin: os Cines Cruzeiro e Phenix, na Vila Mariana, os tradicionais São Francisco, Marajá e Cinemar em Santo Amaro, ou ainda na Vila Nova Conceição, os cines Villa Rica, Radar e Excelsior. Conscientes das deficiências do lugar, os padres inauguraram anos depois e encostado à pequena escola, o amplo e moderno Cine Meninópolis. Foi erguido no terreno em que anteriormente havia um precário barracão, que padre Carlos adaptara para cinema, carinhosamente chamado de Cineminha do Padre Carlos. Aos sábados e domingos à noite, abria para os adultos e, nas matinês de domingo uma multidão de meninos o invadia, logo após o catecismo. O tal cineminha contava com apenas um projetor para filmes de 16mm. Intermináveis e ruidosos intervalos interrompiam as sessões, para a troca de um rolo de fitas por outro. Desfilaram pela tela do inesquecível cineminha personalidades de proa da cinematografia universal. Foi quando centenas de moradores, quem sabe pela primeira vez, puderam assistir às curtas metragens do genial e arisco Charles Chaplin e da dupla Gordo e o Magro. O Ébrio, com Vicente Celestino e o dramalhão mexicano, O Direito de Nascer, bateram recordes de bilheteria. No entanto, a vibração chegava ao auge, com os policiais e faroestes norte-americanos, do apogeu do cinema branco-e-preto, com Ray Milland, James Cagney, Humphrey Bogard, Douglas Fairbanks Jr., Eward G.Robinson, Peter Lorre, Gary Cooper, Ronald Reagan, etc. e com as aventuras de Johonny Weissmuller, O Tarzan. Imperdíveis também foram as comédias estreladas por Aldo Fabrisi,Totó, Pipino di Filippo, Dany Kaye, Bob Hope e Bing Crosby. Conhecer e admirar a arte da lendária e melodramática Bette Davis virou estatus e motivo de vaidade para muita gente. Mas aquele acanhado galpão da primeira escola um dia foi demolido. Em seu lugar, os padres levantaram um moderno edifício, inaugurado em 24 de maio de 1959, para alojar o novo Colégio Meninópolis, reconhecido como um dos melhores estabelecimentos de ensino da zona sul da capital. Esses incansáveis missionários não desperdiçaram a oportunidade que Deus lhes deu, de se envolver com criaturas de idade e condições sociais as mais diversas. E a eles ninguém poderá negar a eterna gratidão por terem contribuído, em muito, com a fulminante onda de crescimento registrada na região.
Bem antes deles, o Brooklin Paulista contava com um outro estabelecimento de ensino exemplar. Quem dos mais velhos não se recorda das irmãs alemãs Maria Zotz, Walburga, Maurícia, Digna, Camilla, Winfrida, Bertilla, Cornélia Scheller! Pertenciam a uma instituição católica, fundada na Inglaterra, por Mary Ward e que aos poucos foi-se espalhando por toda a Europa. Perseguidas na Alemanha nazista, migraram para o Brasil, chegando em São Paulo em 1932. No bairro, passaram a atuar em 5 de julho de 1936, quando instalaram o modesto Colégio Beatíssima Maria Virgem, num velho casarão na Avenida Santo Amaro. Contavam inicialmente com apenas 10 alunos. Depois, transferiram-se para a esquina da Rua das Margaridas com a Avenida Morumbi, numa antiga e charmosa chácara, com salas na frente, capela e um impenetrável convento nos fundos. No silêncio das aulas, ouvia-se o canto dos pássaros e respirava-se o aroma dos frondosos jardins que a cercavam. Entender o que falavam era complicado. Um rebuscado português, com carregado sotaque germânico, foi contaminando a maioria dos alunos, sobretudo a gurizada. E a influência era tanta que, para surpresa e espanto geral, muitos começaram a se expressar da mesma forma quando, em casa, repetiam em voz alta as lições passadas em classe, ou ainda quando cantavam para os pais as canções que as freiras lhes tinham ensinado. Encontram-se até hoje no mesmo lugar, só que as instalações da saudosa escola não mais existem. Foram absorvidas pelo gigantesco e moderno edifício do atual Instituto de Educação Beatíssima Virgem Maria. Rígida disciplina e excelente qualidade de ensino foram o maior legado que deixaram a dezenas de gerações que passaram por lá. Por isso, o eterno reconhecimento do bairro, grato por tê-las até hoje consigo.
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